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Article (Dossier 2)

Leituras antropofágicas: De Hans Staden ao Modernismo Brasileiro: opções decoloniais ou perpetuação do colonialismo?

Author
  • Jean Carlos Colombo orcid logo (Universidade do Minho)

Abstract

A antropofagia é um elemento com significativa presença no livro Duas Viagens ao Brasil, publicado em 1557 por Hans Staden. Apesar da diferença temporal, reencontramos o mesmo vocábulo no modernismo brasileiro do início do século XX: Oswald de Andrade intitula seu manifesto de “antropófago”. Este artigo faz uma análise dos fenômenos antropofágicos apontados nos dois contextos: o livro de Staden é uma das primeiras representações do Brasil —carregada de estereótipos—perante públicos europeus; já o modernismo brasileiro de 1922 utiliza-se da antropofagia enquanto metáfora subversiva que materializa avant la lettre possíveis práticas de opções decoloniais (Mignolo e Walsh). Portanto, a antropofagia surge como metáfora de apropriação, resistência e busca de libertação da visão colonialista e como princípio de afirmação de uma identidade nacional independente de influências europeias. Por fim, relaciono estas reinterpretações da antropofagia com a construção de uma suposta identidade nacional brasileira de acordo com os estudos de Daniel Silva.

Anthropophagy is a significant element in the book Duas Viagens ao Brasil, published in 1557, by Hans Staden. Despite the temporal gap, the same word appears, as a concept, in the Brazilian Modernism of the early 20th century: Oswald de Andrade titled his manifesto as “anthropophagic”. This article analyzes the anthropophagic phenomena identified in both contexts: Staden’s book is one of the earliest representations of Brazil— laden with stereotypes—intended for European audiences; whereas Brazilian Modernism of 1922 utilizes anthropophagy as a subversive metaphor that materializes avant la lettre possible practices of decolonial options (Mignolo and Walsh). Therefore, anthropophagy emerges as a metaphor of appropriation, resistance, and the pursuit of freedom from the colonial gaze, as well as a principle for affirming a national identity independent of European influences. Finally, I relate these reinterpretations of anthropophagy to the construction of a purported Brazilian national identity, according to the studies of Daniel Silva.

Keywords: antropofagia, Hans Staden, modernismo brasileiro, decolonialidade, identidade nacional, anthropology, Brazilian modernism, decoloniality, national identity

How to Cite:

Colombo, J. C., (2025) “Leituras antropofágicas: De Hans Staden ao Modernismo Brasileiro: opções decoloniais ou perpetuação do colonialismo?”, Portuguese Cultural Studies 9(2). doi: https://doi.org/10.7275/p.3684

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Published on
2025-12-30

Peer Reviewed