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Article (Dossier 1)

Fazer morrer os olhos: poéticas e saberes antiextrativistas

Author
  • Claudete Daflon orcid logo (Universidade Federal Fluminense)

Abstract

Nas últimas décadas, a literatura indígena tem conquistado espaço na cena literária brasileira. Num contexto de aumento do número de autores e autoras, a quantidade e a diversidade de publicações opõem-se à estigmatização que reduziu a literatura indígena a determinados nichos editoriais. A literatura indígena expõe os limites da noção moderna de literatura e dos parâmetros críticos que têm orientado políticas editoriais, uma vez que a palavra escrita e o livro se inserem num conjunto de articulações que envolvem aspectos relativos à oralidade; ao testemunho; à música; à produção visual; ao ativismo; à coletividade; ao território; ao multilinguismo; ao mito; à religiosidade e ao sagrado. Nesse sentido, a literatura indígena pode ser vista como uma interrogação dirigida às práticas de leitura crítica e, portanto, como uma demanda por revisões epistemológicas no campo dos estudos literários. O presente ensaio constitui uma proposta de reflexão sobre os caminhos críticos possíveis quando se aceita o convite para “fazer morrer os olhos”, para citar Davi Kopenawa, a fim de poder enxergar com novos olhos. Para esse fim, desenvolveu-se uma escrita ensaística caracterizada pela atitude autorreflexiva e experimental balizada teoricamente pelos estudos decoloniais e pela relação, tal como a propõe o escritor caribenho Édouard Glissant, como conceito chave. Em outras palavras, optou-se por definir a relação como método investigativo e escritural em resposta à demanda por perspectivas móveis, parciais e conectivas frente ao conhecimento segmentado e rígido das instâncias disciplinares.

In recent decades, Indigenous literature has gained ground in the Brazilian literary scene. In a context of a growing number of authors, the quantity and diversity of publications counter the stigmatization that has reduced Indigenous literature to certain editorial niches. Indigenous literature exposes the limits of the modern notion of literature and the critical parameters that have guided editorial policies, since the written word and the book are part of a set of articulations involving aspects related to orality; testimony; music; visual production; activism; collectivity; territory; multilingualism; myth; religiosity and the sacred. In this sense, Indigenous literature can be seen as a question posed to critical reading practices and, therefore, as a demand for epistemological revisions in the field of literary studies. This essay constitutes a proposal for reflection on possible critical paths when one accepts the invitation to “make one’s eyes die,” to quote Davi Kopenawa, in order to be able to see with new eyes. To this end, an essayistic writing was developed, characterized by a self-reflexive and experimental attitude, theoretically guided by decolonial studies and by relation, as proposed by the Caribbean writer Édouard Glissant, as a key concept. In other words, the choice was made to define relation as an investigative and scriptural method in response to the demand for mobile, partial, and connective perspectives in the face of the segmented and rigid knowledge of disciplinary instances.

Keywords: literatura indígena, Davi Kopenawa, ensaio crítico, relação, antiextrativisimo, Indigenous literature, critical essay, relation, anti-extractivism

How to Cite:

Daflon, C., (2025) “Fazer morrer os olhos: poéticas e saberes antiextrativistas”, Portuguese Cultural Studies 9(2). doi: https://doi.org/10.7275/p.3675

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Published on
2025-12-29

Peer Reviewed